A segregação correta começa antes da coleta, do tratamento e da destinação — começa no gesto de jogar o resíduo no recipiente certo. E o que orienta esse gesto é um sistema de cores e recipientes: saco branco para uma coisa, coletor amarelo para outra, coleta seletiva para o que é reciclável. Errar aqui compromete todo o resto e é dos pontos que a vigilância mais observa na prática.

Neste guia você vai encontrar, de forma organizada, as cores e os recipientes para cada grupo de resíduo de serviço de saúde, a diferença entre a identificação da RDC 222 e o código de cores da coleta seletiva, e como padronizar isso no seu estabelecimento e no PGRSS.

Por que a cor importa

A segregação na fonte — separar o resíduo no momento e no local em que ele é gerado — é a base de todo o gerenciamento. Se a agulha vai no saco de lixo comum, ou a gaze com sangue vai na reciclagem, todo o sistema falha: o resíduo perigoso se espalha e o tratamento adequado não acontece.

As cores e os recipientes existem para tornar essa separação imediata e à prova de erro, mesmo para quem não é técnico. Um funcionário da limpeza precisa saber, só de olhar, onde vai cada coisa. Por isso a padronização visual é tão importante — e por isso o fiscal verifica se ela existe e é seguida. Para entender os grupos por trás das cores, veja grupos de resíduos da RDC 222.

As cores e recipientes por grupo

Combinando a RDC 222 (acondicionamento dos resíduos de saúde) e a Resolução CONAMA 275/2001 (código de cores da coleta seletiva), o quadro prático é:

Grupo / tipo Recipiente / cor Identificação
A (biológico/infectante) Saco branco leitoso, resistente, em coletor com tampa Símbolo de risco infectante
E (perfurocortante) Coletor rígido (a "caixa amarela"), resistente a punctura Símbolo de risco + inscrição "PERFUROCORTANTE"
B (químico) Recipiente rígido/estanque, conforme o estado físico Símbolo de risco químico + identificação do resíduo
C (radioativo) Conforme normas da CNEN Símbolo de radioatividade
D reciclável (coleta seletiva) Azul (papel), vermelho (plástico), verde (vidro), amarelo (metal) — CONAMA 275 Por tipo de material
D rejeito Cinza (não reciclável/contaminado)

Dois esclarecimentos importantes:

RDC 222 x CONAMA 275: dois sistemas que convivem

A confusão mais comum é misturar os dois sistemas. Eles convivem, mas têm finalidades diferentes:

Ou seja: o saco branco leitoso (A) e o coletor amarelo (E) vêm da lógica sanitária; o azul, o vermelho e o verde da reciclagem vêm da lógica da coleta seletiva. Um estabelecimento bem organizado usa os dois sistemas sem misturá-los. Note que o amarelo aparece nos dois contextos com sentidos diferentes (coletor rígido de perfurocortante x metal na coleta seletiva) — por isso a inscrição "PERFUROCORTANTE" e o formato de caixa rígida são o que identificam o Grupo E, não só a cor.

Como padronizar no seu estabelecimento e no PGRSS

Para que a segregação funcione na prática:

  1. Posicione os recipientes certos em cada ponto de geração (saco branco e coletor rígido junto à sala de procedimento, coleta seletiva na recepção/administrativo);
  2. Sinalize com clareza cada recipiente, com a identificação visível;
  3. Treine a equipe — inclusive limpeza e recepção — sobre o que vai em cada um;
  4. Descreva a segregação no PGRSS, indicando os recipientes, as cores e os pontos de geração.

O PGRSS deve refletir exatamente esse esquema de cores e recipientes. Para o treinamento, veja treinamento da equipe em resíduos de saúde.

FAQ

Qual a cor do saco para resíduo infectante?

Saco branco leitoso, resistente e identificado com o símbolo de risco infectante, para o Grupo A. É acondicionado em coletor com tampa.

Qual a cor do recipiente de perfurocortante?

O perfurocortante (Grupo E) vai em coletor rígido — a "caixa amarela" —, resistente a punctura, com a inscrição "PERFUROCORTANTE". É uma caixa rígida, não um saco.

As cores da coleta seletiva valem para os resíduos de saúde?

As cores da CONAMA 275 (azul, vermelho, verde, amarelo) valem para o resíduo comum reciclável (Grupo D). Os resíduos de risco (A, B, E) têm acondicionamento próprio pela RDC 222 e não seguem o código da coleta seletiva.

Qual a diferença entre a RDC 222 e a CONAMA 275?

A RDC 222 define o acondicionamento dos resíduos de risco de saúde (saco branco leitoso, coletor rígido). A CONAMA 275 define o código de cores da coleta seletiva para recicláveis. São sistemas que convivem, com finalidades diferentes.

Posso usar saco preto para resíduo infectante?

Não. O resíduo infectante (Grupo A) vai no saco branco leitoso, identificado com o símbolo de risco. O saco comum (frequentemente preto) é para o resíduo comum, conforme a coleta municipal.

O amarelo é sempre perfurocortante?

No contexto dos resíduos de saúde, o coletor rígido amarelo com a inscrição "PERFUROCORTANTE" é o Grupo E. Na coleta seletiva, o amarelo identifica metal. Por isso a inscrição e o formato de caixa rígida são o que identificam o perfurocortante, não apenas a cor.

Isso precisa constar no PGRSS?

Sim. O plano deve descrever a segregação — os recipientes, as cores e os pontos de geração —, demonstrando que o estabelecimento separa corretamente cada resíduo na fonte.

Conclusão

A segregação por cores e recipientes é a base do gerenciamento: saco branco leitoso para o infectante (A), coletor rígido "PERFUROCORTANTE" para o Grupo E, recipientes químicos para o B, e o código de cores da coleta seletiva (CONAMA 275) para o reciclável do Grupo D. A RDC 222 e a CONAMA 275 convivem, cada uma na sua função.

Para padronizar isso no seu estabelecimento e descrevê-lo no plano, responda o questionário do GerarPGRSS: ele identifica os grupos que você gera conforme a RDC 222 e entrega o documento pronto para o RT revisar, assinar e protocolar.