Toda vez que alguém fala em PGRSS, aparecem as mesmas letras: Grupo A, Grupo B, Grupo E. Se você é dono de farmácia, consultório, clínica veterinária ou laboratório e precisa montar o plano — ou só entender o que a vigilância cobra —, essa classificação é o alfabeto do assunto. Sem ela, não dá para segregar o resíduo certo no recipiente certo nem descrever nada corretamente no documento.

A boa notícia é que a lógica é simples e vale para todo o Brasil. A RDC ANVISA 222/2018 divide os resíduos de serviços de saúde em cinco grupos — A, B, C, D e E —, cada um por um tipo de risco. Este guia explica cada grupo (incluindo os subtipos A1 a A5 do Grupo A), como acondicionar e destinar cada um, e como o PGRSS mapeia apenas os grupos que o seu estabelecimento realmente gera.

A lógica da classificação: cinco grupos, cinco riscos

A RDC 222 não classifica o resíduo pelo lugar onde ele nasce, mas pelo risco que ele oferece. Essa é a chave para entender tudo:

Um mesmo estabelecimento costuma gerar dois, três ou quatro grupos ao mesmo tempo — quase nunca os cinco. A tarefa do PGRSS é justamente identificar quais você gera e descrever o manejo de cada um. Se você ainda tem dúvida se precisa do plano, veja o guia sobre quem precisa ter PGRSS.

Grupo A — resíduos biológicos (infectantes)

O Grupo A reúne os resíduos com possível presença de agentes biológicos que, por suas características, podem apresentar risco de infecção. É o grupo mais heterogêneo, e por isso a RDC 222 o subdivide em cinco subgrupos (A1 a A5) conforme o tipo e o grau de risco:

Subgrupo O que inclui (exemplos)
A1 Culturas e estoques de microrganismos, vacinas vencidas com microrganismos, bolsas de sangue e hemocomponentes, material de manipulação laboratorial, instrumentais contaminados com sangue/fluidos
A2 Carcaças, vísceras e peças de animais submetidos a experimentação com microrganismos de risco epidemiológico
A3 Peças anatômicas humanas (membros) e produtos de fecundação sem sinais vitais nas condições definidas pela norma
A4 Materiais da assistência à saúde sem suspeita de contaminação por agente de importância epidemiológica: sobras de laboratório com fezes/urina/secreções, filtros, kits de linhas, carcaças de animais de rotina
A5 Órgãos, tecidos e fluidos de alta infectividade para príons, de casos suspeitos ou confirmados

Como acondicionar: o Grupo A vai, em regra, em saco branco leitoso identificado com o símbolo de risco infectante. O detalhe que muda o custo e a operação é o tratamento prévio: subgrupos como o A1 (culturas) exigem tratamento — geralmente autoclavagem — antes da disposição; o A4 normalmente não exige tratamento prévio e segue para disposição final adequada; o A5 tem exigências específicas mais rígidas. Peças anatômicas e carcaças podem ter acondicionamento e transporte diferenciados conforme o porte.

Na prática dos pequenos estabelecimentos do beachhead, o que mais aparece é o A1 (laboratório, com culturas) e o A4 (gaze com sangue, sobras de rotina). Consultórios, clínicas veterinárias e laboratórios geram Grupo A sempre que há sangue, tecido ou cultura envolvidos.

Grupo B — resíduos químicos

O Grupo B reúne os resíduos que contêm substâncias químicas com risco à saúde ou ao ambiente, dependendo de características como inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Exemplos típicos:

Como acondicionar e destinar: em recipiente compatível com o estado físico e a natureza do resíduo, identificado com o símbolo de risco correspondente, mantendo separados os resíduos incompatíveis. A destinação é feita por empresa licenciada pelo órgão ambiental (incineração, coprocessamento ou aterro de resíduos perigosos, conforme o caso). Atenção às oito classes do Art. 59 (hormônios, antimicrobianos, citostáticos, antineoplásicos, imunossupressores, digitálicos, imunomoduladores e antirretrovirais), que exigem tratamento ou aterro Classe I. O medicamento vencido é o Grupo B mais comum na farmácia — veja o detalhe em descarte de medicamentos vencidos.

Grupo C — rejeitos radioativos

O Grupo C são os rejeitos radioativos: materiais que contêm radionuclídeos em quantidades acima dos limites de isenção, provenientes de laboratórios de análises, serviços de medicina nuclear e radioterapia.

Como manejar: o Grupo C segue as normas específicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), além da RDC 222. Na prática do beachhead — farmácia, odontologia, veterinária e laboratório de análises clínicas de rotina —, o Grupo C raramente se aplica. Aparelhos de RX odontológico ou veterinário emitem radiação, mas não geram rejeito radioativo. Se um modelo de PGRSS que você encontrou fala em rejeitos radioativos e você não tem medicina nuclear, ele foi feito para outro tipo de serviço.

Grupo D — resíduos comuns

O Grupo D são os resíduos que não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao ambiente — equiparados aos resíduos domiciliares. Exemplos:

Como acondicionar: conforme a coleta municipal, respeitando a coleta seletiva (recicláveis) onde houver. É o grupo mais volumoso do dia a dia e o de manejo mais simples — mas classificá-lo corretamente evita mandar para tratamento caro um resíduo que era comum, ou o contrário.

Grupo E — perfurocortantes

O Grupo E reúne os materiais que perfuram ou cortam: agulhas, lâminas de bisturi, lancetas, brocas, limas endodônticas, ampolas de vidro, capilares e vidraria contaminada.

Como acondicionar: em coletor rígido, resistente a punctura, ruptura e vazamento, com tampa, identificado com o símbolo de risco biológico e a inscrição "PERFUROCORTANTE" (conforme a RDC 222 e a norma técnica NBR 13853). O coletor deve ser substituído ao atingir 2/3 da capacidade (ou a 5 cm da boca), e é proibido esvaziá-lo ou reutilizá-lo. A destinação é por empresa licenciada, com tratamento (autoclavagem ou incineração) antes do aterro. Como quase todo estabelecimento de saúde gera perfurocortante, o Grupo E é praticamente universal — o passo a passo completo está em descarte de perfurocortantes.

Tabela-resumo: os cinco grupos de relance

Grupo Risco Exemplos Acondicionamento típico Destino
A Biológico Sangue, culturas, tecidos, carcaças Saco branco leitoso (símbolo infectante) Tratamento (A1/A5) + disposição adequada
B Químico Medicamentos vencidos, reagentes, amálgama Recipiente por tipo, identificado Empresa licenciada (incineração/aterro Classe I)
C Radioativo Rejeitos de medicina nuclear Conforme CNEN Normas específicas da CNEN
D Comum Papel, embalagens, resíduo administrativo Coleta municipal / seletiva Aterro sanitário / reciclagem
E Perfurocortante Agulhas, lâminas, brocas, ampolas Coletor rígido "PERFUROCORTANTE" Tratamento + aterro licenciado

Como o PGRSS mapeia os grupos que VOCÊ gera

Entender os cinco grupos é o primeiro passo; o PGRSS é onde essa classificação vira ação. O plano identifica quais grupos o seu estabelecimento gera e descreve, para cada um, a segregação na fonte, o acondicionamento, o armazenamento e a destinação — com a empresa licenciada e os comprovantes.

Na prática, cada segmento do beachhead gera uma combinação previsível:

A classificação dos resíduos é uma regra determinística a partir da sua operação — não é achismo. É por isso que o GerarPGRSS consegue montar o documento a partir de um questionário: ele identifica os grupos que você gera conforme a RDC 222 e entrega o plano em PDF e Word editável, pronto para o seu Responsável Técnico revisar, assinar e protocolar.

FAQ

Quantos grupos de resíduos existem na RDC 222?

Cinco: Grupo A (biológicos/infectantes), Grupo B (químicos), Grupo C (rejeitos radioativos), Grupo D (comuns) e Grupo E (perfurocortantes). Cada um é definido pelo tipo de risco que o resíduo oferece.

O que é o Grupo A e quais são os subgrupos?

O Grupo A são os resíduos biológicos, com possível presença de agentes infecciosos. Ele se divide em cinco subgrupos: A1 (culturas, sangue, material laboratorial), A2 (carcaças de animais de experimentação), A3 (peças anatômicas humanas), A4 (materiais de assistência sem suspeita de contaminação epidemiológica) e A5 (material de alta infectividade para príons).

Qual a diferença entre Grupo A e Grupo E?

O Grupo A é definido pelo risco biológico (material que pode conter agente infeccioso), acondicionado em saco branco leitoso. O Grupo E é definido pelo risco físico de perfuração ou corte (agulhas, lâminas), acondicionado em coletor rígido. Uma agulha usada é Grupo E mesmo estando contaminada — o critério do coletor rígido é o risco de acidente.

Medicamento vencido é qual grupo?

Grupo B (químico). Deve ser destinado por empresa licenciada, e algumas classes (hormônios, antimicrobianos e outras do Art. 59 da RDC 222) exigem tratamento ou aterro de resíduos perigosos Classe I.

Meu consultório/farmácia gera resíduo do Grupo C?

Quase certamente não. O Grupo C são rejeitos radioativos, gerados por medicina nuclear e radioterapia. Aparelhos de RX odontológico ou veterinário emitem radiação, mas não geram rejeito radioativo. Farmácias, consultórios, clínicas veterinárias e laboratórios de rotina não geram Grupo C.

Papel e embalagem da recepção são resíduo de saúde?

São Grupo D (comuns), equiparados ao lixo domiciliar, desde que não tenham contato com material biológico ou químico de risco. Seguem a coleta municipal e a coleta seletiva onde houver.

Preciso descrever todos os cinco grupos no meu PGRSS?

Não. O PGRSS descreve apenas os grupos que o seu estabelecimento realmente gera. Plano inflado com grupos inexistentes (como rejeito radioativo numa farmácia) é sinal de documento copiado e chama a atenção do fiscal. O correto é mapear a sua operação real.

Conclusão

Os cinco grupos da RDC 222 — A (biológico), B (químico), C (radioativo), D (comum) e E (perfurocortante) — são a base de todo o gerenciamento de resíduos de saúde. Entender o risco de cada um e como acondicioná-lo é o que permite segregar corretamente na fonte e descrever tudo com precisão no PGRSS.

O passo seguinte é aplicar essa classificação à sua realidade: identificar os grupos que o seu estabelecimento gera e montar o plano. Você pode fazer isso respondendo o questionário do GerarPGRSS, que classifica os resíduos automaticamente conforme a RDC 222 e entrega o documento pronto para o seu RT assinar e protocolar.