O amálgama é o resíduo que mais diferencia o consultório odontológico dos demais — porque contém mercúrio, um metal tóxico e volátil. Cada sobra de cápsula, cada restauração antiga removida, cada resíduo retido no filtro do sugador carrega mercúrio, e o descarte errado contamina solo e água de forma persistente. Por isso a RDC ANVISA 222/2018 tem uma regra específica para ele.

Neste guia você vai ver como o amálgama se classifica, como acondicioná-lo corretamente sob selo d'água, para onde destiná-lo, o que fazer mesmo que você não use mais amálgama em novas restaurações e como isso entra no PGRSS do consultório.

Amálgama é resíduo químico (Grupo B)

O amálgama odontológico é uma liga que contém mercúrio — e por isso o resíduo de amálgama é classificado como Grupo B (químico) na RDC 222. O mercúrio é o problema central: é tóxico, bioacumulativo e volátil (evapora em temperatura ambiente), o que exige cuidado especial no acondicionamento para evitar a liberação de vapores.

De onde vem o resíduo de amálgama no consultório:

Para ver o amálgama ao lado dos outros resíduos do consultório, veja PGRSS para consultório odontológico e o panorama dos grupos de resíduos da RDC 222.

Como acondicionar: o selo d'água

A regra da RDC 222 para o amálgama é específica e tem uma lógica clara — impedir a evaporação do mercúrio:

Esse selo d'água é o detalhe que a vigilância verifica. Amálgama guardado seco, exposto, é fonte de vapor de mercúrio no consultório — um risco para a equipe.

Para onde destinar o amálgama

O destino preferencial do amálgama é a recuperação do mercúrio por empresa licenciada — o metal é recuperado em vez de disposto. Onde a recuperação não é viável, o resíduo segue para outra destinação aprovada pelo órgão ambiental competente, sempre por empresa licenciada.

O que nunca fazer com amálgama:

Guarde os comprovantes de coleta e destinação — manifesto de transporte e certificado — que a vigilância pede junto com o PGRSS.

Um equipamento que ajuda muito nesse ponto é o separador de amálgama acoplado ao sistema de sucção. Ele retém as partículas de amálgama antes que cheguem ao esgoto, capturando o mercúrio que de outra forma seria lançado na rede. O material retido no separador é resíduo de amálgama e segue o mesmo caminho: recipiente sob selo d'água e destinação para recuperação. Em vários municípios, o separador de amálgama já é exigência para consultórios que trabalham com o material — vale confirmar com a vigilância local se é o seu caso.

E se o consultório não usa mais amálgama?

O uso de amálgama vem sendo abandonado no Brasil, na esteira da Convenção de Minamata sobre o mercúrio. Mas isso não elimina o resíduo: a remoção de restaurações antigas de amálgama continua gerando o material, e muito consultório ainda o encontra na rotina.

Duas situações para o seu PGRSS:

  1. O consultório remove amálgama antigo: o fluxo de resíduo de amálgama precisa constar no plano, com o selo d'água e a destinação para recuperação.
  2. O consultório não trabalha com amálgama de forma alguma: declare isso explicitamente no PGRSS, em vez de simplesmente omitir — deixa claro à vigilância que a ausência do fluxo é intencional e correta.

FAQ

Amálgama é resíduo de que grupo?

Grupo B (químico), por conter mercúrio. O mercúrio é tóxico e volátil, o que exige acondicionamento específico e destinação por empresa licenciada.

Como devo guardar os restos de amálgama?

Em recipiente rígido, inquebrável, de material inerte e boca larga, com uma camada de água cobrindo o resíduo (selo d'água), fechado e identificado. A água impede a evaporação do mercúrio.

Por que o selo d'água é importante?

Porque o mercúrio é volátil e evapora em temperatura ambiente. A camada de água sobre o resíduo impede a liberação de vapor de mercúrio no consultório, protegendo a equipe e o ambiente.

Posso jogar amálgama na pia ou no lixo comum?

Não. Amálgama na pia contamina a água com mercúrio, e no lixo comum contamina o solo. É infração sanitária e ambiental. O destino é a recuperação do mercúrio por empresa licenciada.

Não uso mais amálgama. Preciso me preocupar?

Se você remove restaurações antigas de amálgama, sim — a remoção gera o resíduo. Se não trabalha com amálgama de forma alguma, declare isso no PGRSS. O material não desaparece só porque você não faz novas restaurações.

Qual o destino final do amálgama?

Preferencialmente a recuperação do mercúrio por empresa licenciada; onde não for viável, outra destinação aprovada pelo órgão ambiental, sempre por empresa licenciada. Guarde os comprovantes.

O amálgama precisa aparecer no PGRSS?

Sim, se o consultório gera o resíduo (incluindo remoção de restaurações antigas). Descreva o acondicionamento sob selo d'água e a destinação. Se não trabalha com amálgama, declare a ausência.

Conclusão

O amálgama é resíduo químico (Grupo B) por conter mercúrio, e seu descarte tem uma regra específica: acondicionamento sob selo d'água (para impedir a evaporação) e destinação para recuperação do mercúrio por empresa licenciada. Mesmo consultórios que não fazem mais amálgama geram o resíduo ao remover restaurações antigas.

Para descrever esse e os demais fluxos do consultório no plano, responda o questionário do GerarPGRSS para odontologia: ele classifica os resíduos conforme a RDC 222 e entrega o documento pronto para o seu CRO revisar, assinar e protocolar.